Brasil para os brasileiros ou para os gringos?

8 de setembro de 2017 / 1 Comentário

Desde a semana passada, venho refletindo sobre várias situações nessa miscelânea que é o Brasil. O decreto pelo fim da RENCA (Reserva Nacional de Cobres e Associados), os protestos dos famosos, dos não famosos, o discurso dos “desenvolvimentistas”, os políticos, as malas com dinheiro, o São Paulo Fashion Week. Tudo isso virou uma bola em minha mente! Esse blog não se atém apenas em falar sobre tendências e ou que usar com o sapato tal, pois fazer moda no século XXI é fazer política. Eu não desassocio o meu trabalho com moda com a minha profissão (professora de História) e acredito que a moda tem o alcance em vários aspectos sociais, políticos e econômicos.

No maior evento de moda da América Latina, SPFW, o desfile que mais me tocou foi o da marca Osklen, do estilista Oskar Metsavaht pois apresentou uma coleção inspirada na obra da artista brasileira Tarsila do Amaral, a quem sou fã de sua arte, suas formas, seu legado na arte brasileira, tudo me impressiona! Estava na casa de amiga de Marcela (que não é a Temer), assistindo o resumo das coleções do evento quando ela questionou: “quem vai sair vestido de Abaporu na rua? Isso é coisa pra gringo!” Mesmo um grupo pequeno de apaixonados pelo moda, morrendo de amores pela coleção, seu questionamento é válido e extremamente prático. Fica aqui a reflexão!

Vestido com forte referência a tela Abaporu (1928) o termo do tupi significa “homem que come homem” faz alusão ao antropofagismo para com a cultura estrangeira.

Adoraria fazer uma relação mais profunda do desfile da Osklen com o manifesto contra a liberação da mineração da Amazônia, mas a editora internacional da Vogue Suzy Menkes (minha inspiração na escrita de moda) já o fez brilhantemente, acesse em: http://vogue.globo.com/Suzy-Menkes/pt/noticia/2015/09/osklen-manifesto-da-floresta.html

Vestido com referência a tela Morro da Favela (1924)

Também nessa semana agitada, tivemos a modelo Gisele Bündchen (nem sempre concordo com suas ideias ambientais) se engajando no movimento S.O.S Amazônia junto com outras pessoas públicas. Li um comentário em uma rede social assim “quem é a Gisele para falar sobre o que fazer na Amazônia? Ela nem mora aqui!’ Então questiono, só quem mora na selva pode opinar? Gosto quando pessoas públicas, em especial da moda, se posicionam politicamente. Mostra que o trabalho no mundo fashion vai além da beleza dos editoriais de revistas e roupas nas passarelas.

O estilista mineiro Ronaldo Fraga, já fez trabalho na Amazônia e tem até documentário sobre ele, também se posicionou e rebateu as críticas de que seus desfiles são fruto de marketing e afirmou que quer causar reflexão no público.

Tempos difíceis estamos vivendo aqui em Terra Brasilis, os jornais trazem notícias angustiantes diariamente: salário congelado, impostos sufocantes, serviços públicos insatisfatórios e malas de dinheiro. Mas, nós estamos seguindo em frente! E o que a moda tem a ver com isso? Parafraseando Costanza Pascolato “moda é o reflexo do comportamento de uma civilização…”Entretanto, aqui não quero as respostas, quero a reflexão!

Maíse
Oliveira
#somostodosdaselva
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1 Comentário
  • Alynne 9 de setembro de 2017 às 11:35

    Que texto, uma excelente proposta. Que possamos passar por tudo isso sãos e salvos. Parabéns!!

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